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  • Júlia Marssola

Resultados consolidados: Relatório de Representatividade Feminina no antitruste

Aproximando-nos do dia das mulheres, este é um excelente momento para analisarmos os resultados consolidados do Relatório de Representatividade Feminina no antitruste, com reuniu e avaliou dados de 2018.


O Relatório de Representatividade WIA foi um projeto pioneiro grandioso que mobilizou esforços de muitas mãos voluntárias. O resultado apresenta um olhar completo e inédito sobre a representatividade feminina do direito da concorrência no Brasil. A presença das mulheres no setor é grande, mas ainda muito restrita em cargos de liderança. Uma analise mais profunda dos dados obtidos e dos entraves à progressão de carreira das mulheres nos revela, para esse Dia das Mulheres, que ainda há muito a avançar.



A fim de promover a igualdade de gênero e fomentar o estudo do direito da concorrência, a WIA realiza diversas atividades e publicações, tendo organizado conferências internacionais em diversas cidades brasileiras e publicado dois livros que reúnem artigos científicos na área, o terceiro já com edital publicado.


Em linha com esses objetivos e valores, ao longo do ano passado, um dos principais projetos conduzidos pela rede foi a elaboração de um extenso estudo de representatividade feminina no direito da concorrência brasileira, o “Relatório WIA de Representatividade e Inclusão Feminina no Antitruste”. A pesquisa pioneira buscou desmistificar opiniões infundadas sobre o tema, para encontrar dados e respostas mais concretas que possibilitem a realização de ações eficazes por meio da rede.


Ao longo de 2019, a Diretoria de Projetos WIA engajou-se em coletar e analisar dados sobre representatividade e inclusão feminina no antitruste nos meios publico e privado, obtendo informações a partir do envio de questionários para o Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (CADE), escritórios de advocacia e consultorias. Os questionários e a análise conduzida pautaram-se pela máxima “diversidade numérica nem sempre é sinônimo de inclusão”, a fim de identificar, além dos números que indicam a presença feminina no direito da concorrência, as dificuldades e os desafios das carreiras das mulheres na área.


Analisando objetivamente os dados, quanto ao setor publico, ainda que animador o resultado de uma presença feminina 7 pontos percentuais maior no CADE do que no governo federal como um todo, a representatividade das mulheres em cargos de liderança (DAS 6 e NE) é de apenas 25%. Já no setor privado, não surpreende os dados de maior presença feminina na área jurídica do que econômica. Nas consultorias econômicas analisadas, 35% são mulheres, em oposição aos 52% em escritórios de advocacia.


Quando observados os dados obtidos sob o prisma da inclusão, foram constatadas barreiras não desprezíveis. Ainda que o setor privado promova mais mulheres do que o CADE (64% e 33%, respectivamente), é minoria a promoção de mulheres em cargos de liderança tanto no setor privado quanto no publico. Como elementos que aparecem como “justificativas” para tanto, as respostas aos questionários apontam a falta de formação específica na área, baixo perfil comercial e de liderança, falta de interesse em assumir responsabilidade, desistência, etc.


A despeito dessas justificativas, destacamos questões estruturais que corroboram também esse fato, como a ausência de políticas de retenção e de apoio à família, ausência de políticas institucionalizadas de flexibilização de jornada de trabalho ligadas à maternidade, etc.



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